quarta-feira, 3 de maio de 2017

Tudo nu.

E foi assim desde o tempo da criação. Os corpos respeitavam-se como se estivessem vestidos. É assim que ainda hoje acontece com os amantes. Os embelezamentos humanos são insignificantes nas imagens que cada um tem do outro. Quem ama, ama de qualquer jeito.
Repara. Gosta mais ou menos dos adereços, mas ama para lá do visível. É, outra vez, assim! E será outra e depois outra até que a chama se extinga, porque só vive se constantemente for alimentada.
O tempo voa depressa demais, as relações são difíceis só porque queremos voar como o vento. Não sabemos. Não somos rápidos para acompanhar o melhor dos momentos, o silêncio. E lá que está a razão e por sua vez se mistura com a emoção. No silêncio.
Os corpos amam-se no silêncio do beijo. No aconchego do abraço. Em cada auscultação da respiração do outro. Em cada penetração mais ou menos suave, mas sempre com o ritmo da paixão.
Estavam nus. Sentados à beira mar. As mãos entrelaçadas deslizavam suavemente, aproveitados do creme protetor que momentos antes fora cariciosamente espalhado em cada um dos amantes, embalados pela melodia das ondas.
Ao longe cada um via o rosto do outro. Murmuraram em surdina.

Ao mundo falta tão só isto. Estar nu. Como naquele dia em que a criatura conheceu o seu semelhante. E o amou.

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